quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

"Everything was as it should be"



Bom ano :)



quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

















C. Dezembro 2007





sexta-feira, 23 de novembro de 2007

diário gráfico #4


(dois meses atrás)
eu: não suporto a dor... qualquer dor, qualquer uma é sempre esmagadora!
ele: sem dor não há ganho...

penso na minha insuportabilidade à dor
sinto-me,

e vejo-me reduzida a uma angústia de um vazio interior sem limites.

(hoje)
confronto a inexorabilidade das dores [do viver]?,
sinto,

a primeira mutação...
a clareza: - a primeira mutação não é a da carne.

e repito: A PRIMEIRA MUTAÇÃO NÃO É A DA CARNE!

mas como medi-la se não pela carne?

Acomodo-me e imagino -
ele: estás bem?
eu: no pain no gain...




[inscrição do corpo] auto antropometrias possíveis? - estudos, novembro 2007



quarta-feira, 24 de outubro de 2007

do eterno - a nu



Cecilia e António, Alentejo, 1974



Peguei numa fotografia dos meus pais.

Uma fotografia que sempre me fez lembrar a tela Cócegas do Malhoa...
talvez por isso tenha sido uma das minhas primeiras aventuras a óleo.

"Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços..."
Florbela Espanca

cópia de Cócegas de José Malhoa,
2004, óleo s/tela, 50x40cm

Olho a fotografia e sou esmagada pela manifestação de que nada é eterno. Reconcilio-me com a dor dessa evidência.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Não Somos Só Palavras*




s/título- série excertos,
2007, acrílico e colagem s/tela, 30x30cm cada elemento


De sentimentos decorados
Com letras por pendurar.
Tatuamos o corpo com histórias intermináveis.
Não vivemos só em fios
Cortantemente estendidos
Entre as vozes mudas de cada um.
Percorremos o som de cada Teia.
Não usamos máscaras feitas à medida
Do abismo que se encerra
Labirinticamente dentro de todos nós.
Herdamos o fio de Ariadne.
Não descemos os mesmos degraus
Que se alojam discretamente
Nas ruínas das nossas almas.
Colocamos novas pedras na Torre de Babel.
Não apagamos a lua da noite
Quando amamos, em segredo,
A luz do dia que nos desperta.
Procuramos sempre o momento exacto.
Não queremos mais do que a dose certa
Da vida servida a quente
Sobre o prato frio da morte como vingança.
Vivemos o amanhã no dia de hoje.
Não sabemos tudo o que queremos
Mas despimos o corpo da ignorância
Quando nos reflectimos perante as questões.
Descansamos na doce esperança.
Não temos o que queremos
Porque encetamos uma luta diária
A cada esquina do amanhecer.
Adiamos a perfeição.






Entre o real e o engano
Entre a porta e a janela
Entre a fuga e a prisão
Entre a pausa e o movimento
Somos o mesmo e múltiplo ser humano.




Não sabia qual escolher.
Cá dentro já ecoavam estas palavras.
Ontem, tomaram estas cores e estas formas.
Assim foi mais fácil, será este!
Espero que gostes :)




sexta-feira, 21 de setembro de 2007

l'écume des jours # V - série colagem sobre imagem

l'écume des jours,
2007, colagem sobre imagem, 28x40 cm


Tu Tens um Medo

Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.
Cecília Meireles

power through seduction # IV - série colagem sobre imagem


power through seduction,
2007, colagem sobre imagem, 28x40 cm

the hunter # III - série colagem sobre imagem

the hunter,
2007, colagem sobre imagem, 28x40 cm

diamond's are girl's best friend # II - série colagem sobre imagem

diamond's are girl's best friend,
2007, colagem sobre imagem, 28x40 cm

travel back # I - série colagem sobre imagem

travel back,
2007,colagem sobre imagem, 28x40 cm



Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.



Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.



Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles



domingo, 22 de julho de 2007

sexta-feira, 11 de maio de 2007

um mundo a haver




Península,
2007, aguarela e colagem s/papel, 15x20cm



s/título- série excertos,
2006, óleo e colagem s/tela, 30x40cm

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

excerto de Tabacaria, Álvaro de Campos

quinta-feira, 15 de março de 2007

diário gráfico #2


Marvão, Fevereiro de 2006


Vila Velha de Rodão, Fevereiro de 2006

Gerês #2


Mezio, Parque Nacional da Peneda-Gerês, agosto de 2003

Estilhaços

estilhaços - série excertos,
2006, óleo e colagem s/tela, 30x30cm

"há quatrocentos dias,
ou mais.
há demasiado tempo que me és de menos.
alguns dias muito bons podiam ser melhores por falta de ti.
outros dias poderiam ser diferentes do nada que são.
diz-me que para sempre não é tudo,
diz que para nós é para ti, que há um nós em ti".

Texto de Paulo Jorge Calado Ribeiro

diário gráfico #1


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007



s/título- série excertos,
2006, óleo s/tela, 55x65cm


Morrer lá à frente

Sentado literalmente em cima do tempo, observo.
(todos aqueles que o tentam controlar)


Parar, retardar, avançar.
Construir tempo, é coisa que os deuses temem.

O homem...

Passei dias, semanas, meses, nessa posição.
O tempo contou, em cima do tempo.

À herege tentativa de mudar o imutável,
este, como que numa demonstração de superioridade,
Muda.
Todos aqueles que o tentam mudar.


O homem...

O ser que muda cursos de água e os relevos da terra.
Morre a tentar vencer o tempo.

Carlos Veríssimo, TrajectóriaS, 2003



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007







[Olho-me


despojada de mim


transparente,



vejo-me derramada em ti

a minha pele reclama o teu toque



sorvo-me novamente.]




s/ título,
2007, composição - acrílico e colagem s/ tela, 15x16 cm cada elemento